Escondida no partir

Meu coração aperta toda vez que ela vem. Sorrateira, trama seu efeito – tantas vezes trapaceiro, escondido sobre a felicidade momentânea – sem que ao menos percebamos.

Sei que age em sua forma natural e cronológica, a compreendo contraditoriamente, mesmo não querendo. Por mais que neguemos a nós mesmo, ela necessita acontecer. Ela, a Sra. Despedida.

E quando esta dona chega e você vai, passo a conjugar-me inteira no verbo saudade. tumblr_lgxi7bdgks1qez36ao1_500 Sou saudade até você voltar e trazer outra vez o seu calor, pele e cor pra perto de mim.

Em cada vinda, a despedida descarrega violentamente um coquetel Molotov recheado de anseios e receios. Por impulso me carrega para um estado que não é meu, onde não me tenho por inteira.

Vez ou outra esbarro com a solidão no meio do caminho. Ela, aliada à despedida, vem depois o meu corpo corroer. Faz doer infinitamente e, às vezes, até sangrar.

Tardio, meu sossego entra pela porta apenas quando me lembro que tem também despedida passageira, que não se demora na estrada. Que fica viúva no meio da semana, quando ignoramos o domingo e adiantamos nosso encontro.

Mas como num ciclo vicioso ela volta, e revolta. Quando menos a espero, já é hora outra vez do seu acontecer.

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Sobre Thalita Monte Santo

Jornalista, fotógrafa e escritora.

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