Antes um pé sujo do que um dedo dolorido

PéTodo mundo – acredito eu – possui um ponto fraco. Muitas vezes ele fica escondido, submerso e em hipótese alguma é revelado para não comprometer o seu mantedor. Eu, que sempre achei que o coração mole fosse o meu, descobri ter me enganado. Meu ponto fraco é o dedão do pé.

É sério! E parece que ultimamente as pessoas, as calçadas, as pedras no meio do caminho e a quina dos móveis já sacaram isso. Já tive dor de dente, quebrei o braço duas vezes, torci o tornozelo, mas dor alguma se compara a um dedão pisado (ainda mais quando ele está inflamado).

Li em algum lugar uma vez, que o dedão é um dos pilares que sustentam nosso corpo, que ajuda a nos manter em pé. Por isso, diversos especialistas estão sempre alertando que não devemos nos descuidar e que é sempre bom evitar sapatos apertados.

Ah, os sapatos apertados! Geralmente são os mais bonitos e tentadores. Você sofre calada, mas insiste no bico fino. No dia seguinte, seu pé está cheio de bolhas, dolorido, você mal consegue andar. E o dedão? Inflamado.

Porém, as vezes é preciso um Scarpin (bonitinho, mas ordinário) para se dar valor a uma rasteirinha. É necessária uma burrada para enxergar que poderia ter escolhido melhor na sapateira, ou até mesmo ter ficado descalço, antes de sair calçando o bonitão só porque combinava com a sua roupa naquele exato momento. pee

E quem sofre com a sua escolha? Isso mesmo, o dedão. Daí, como num mistério – anotem isso, é uma tese a ser estudada, garanto – o seu dedo inflamado magicamente se transforma em um imã de pedras grandes, calçadas, nivelamentos de asfalto que brotam do chão e outros pés pesados, que possuem apenas uma missão na vida: pisar onde te dói.

Quando algo assim surge para atrapalhar seu caminhar, a primeira coisa que passa pela cabeça é desistir de percorrer o trajeto, de parar onde está.

Parece até que forças dentro de você são absorvidas totalmente pela dor momentânea, causada por uma escolha errada.

Entretanto, se tem uma coisa boa que eu tirei de uma topada monstra, numa pedra dia desses, é que: A dor, essa passa. Mas a escolha em sentir-lá novamente é sua. Com dor ou não, seu corpo é sólido, ele continua. Você é que continua.

Continua, para escolher andar descalço e livre, se quiser. Um pé sujo de experiências vividas, vale mais que um dedo dolorido todos os dias, sempre.

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Sobre Thalita Monte Santo

Jornalista, fotógrafa e escritora.

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