Quarto limpo, vida leve

Chega uma hora que, mesmo não querendo e adiando sempre que possível, é preciso arrumar o quarto. Um pouco sem disposição, você olha a baderna que criou ao seu redor – aquela que todas as noites é ignorada antes de dormir – e pensa, “como foi que eu deixei as coisas chegarem nessa situação?”.

Estufa o peito, estrala os dedos e o pescoço, e começa de uma vez. São roupas jogadas em um canto, sapatos e bolsas noutro. Tudo desorganizado, perdido, procurando seu lugar.

Depois de dobrar os lençóis e toalhas que acumularam na cadeira, você organiza os livros e traz à tona as coisas que aprendeu com eles. Encontra até algumas pelúcias que enfeitavam a mesa, mas foram sufocadas por algumas calças jeans. Pronto, uma parcela da desordem parece ter sido nivelada.

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Se você, por acaso, divide o quarto com alguém a desordem pode ser ainda maior. Têm dias que as tralhas de um se juntam com as do outro. Aí pra separar e organizar tudo é sempre mais difícil.

Uma dica: cuide só do que é seu e mande o colega cuidar do dele. Você pode até ajudá-lo, mas tente não fazer o que não é da sua obrigação. Cada um deve resolver os seus problemas.

Daí, achando que acabou, você abre o guarda-roupa e tudo que ali está cai em cima do seu corpo. As camisas que não dobrou, as bermudas que embolou e jogou lá dentro por falta de tempo para colocar na gaveta, as meias sem seus pares, tudo, tudo está amassado, precisando ser lavado e passado outra vez.

“Olha pra trás menina, ainda não acabou não!” – É o que uma voz interior te diz. Ao baixar e olhar pra debaixo da cama, encontra mais muambas. Pega a vassoura e, com destreza, puxa tudo de uma vez. Junto das coisas esquecidas ali em baixo, vem também a poeira, que caí entre seus olhos, entra pela boca, e faz tudo arder. Da retina à garganta.

É inevitável não tossir. Porém, mais uma vez você repete o movimento. É preciso fazê-lo até que todo o espaço esteja limpo. Depois de ajuntar tudo, é na pá que você separará o que fica e o que vai para lixo. Muitas vezes algum grampo de cabelo, útil em algum momento da vida, vai embora, pois se misturou com o inutilizável.

Ao se levantar, suas costas estralam. Você sente dor, mas continua a sua faxina. Olha de mansinho para os quatro quantos do quarto e vê que muita coisa ali já não lhe cabe mais usar. Uma medida inteligente é separar tudo que ocupa espaço demais. Por um momento você para. Já não sabe mais se está arrumando o quarto ou a vida.

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Sobre Thalita Monte Santo

Jornalista, fotógrafa e escritora.

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