Elemento principal

Na rua já receberam diversos rótulos, mas isso não os impediu de dar e receber amor. Ao andarem juntos já ouviram diversas ofensas. Tem sempre um pra cochichar, “isso não é coisa de gente norma!”, “que tipo de casa deve ser essa?”.  Porém, um dos lemas daquela família, ‘tão sem regras e fora dos padrões’, era a do amor acima de tudo.

A anciã, dona da antiga casa verde da Rua Primavera das Nações, tinha 83 anos e desde 1946 frequentava uma igreja evangélica. Criou seu filho sozinha e sempre soube que  ele tinha um espírito livre dentro de si.

Cuidadosa e amorosa, a mãe o levava todos os dias de culto para a igreja, mas sempre soube que não poderia obrigá-lo a seguir sua religião. Passou-lhe todos os ensinamentos bíblicos e lhe mostrou o que era certo e errado na vida. Porém, deixou-o livre para fazer suas próprias escolhas.

Quando rapaz, ele descobriu um grande interesse por explicações dadas pela ciência. Aos poucos foi deixando de acreditar em respostas divinas e levou mais a sério as teorias comprovadas pelo homem através dos estudos.

Aos 24 anos, o jovem ateu conheceu uma moça de sorriso aberto e alma pura, que lhe roubou o coração. A nova paixão vinha de uma família tradicionalista e católica, apostólica e romana. Seus pais eram extremamente severos e queriam que a filha casasse com um rapaz da igreja e que seguisse as mesmas doutrinas.

Porém o amor sempre fala mais alto! A católica acabou desafiando os pais e uniu-se apenas no cartório com o seu grande amor, que não sabia rezar o Credo, muito menos uma Ave Maria. O jovem casal, pouco estruturado e sem o apoio dos pais da noiva, passou a morar na casa da evangélica, mãe do noivo.

Em três anos, os dois tiveram um casal de filhos. Os pais da mulher pediram perdão à filha e a perdoaram também. As crianças, em meio a toda aquela ‘confusão’, aprenderam que o amor e o respeito deveriam ser maiores que tudo. A eles, fora ensinado o catecismo, a pedido da avó evangélica, porém foram deixados livres para escolherem sua própria fé.

O primogênito decidiu ser budista aos 13 anos. Parou de comer carne e todos os dias reserva uma parte do seu tempo para entoar seus mantras. A caçula, hoje com 19 anos, conheceu um rapaz judeu e se converteu a um ano. Os dois já pensam em se casar.

Todas as manhãs os membros desta família tomam o seu café da manhã juntos. Nunca houve se quer uma discussão sobre religião entre eles. Os avós católicos estão sempre presentes nas comemorações familiares e rezam todas as noites pela proteção da filha, do genro e sua mãe e de seus dois netos.

Anúncios

Sobre Thalita Monte Santo

Jornalista, fotógrafa e escritora.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: