Homem estátua da Rua Direita

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Parecendo ter saído de um livro de Guimarães  Rosa, o homem estátua equilibrava-se em um caixote na tarde fria da terceira sexta-feira de junho. Sua pele, roupa, sapatos, mala e chapéu, duros feito rocha, brilhavam por conta da tinta dourada  envelhecida.

Os pedestres apressados, que caminhavam na mesma direção que eu, mal notavam a  humilde presença do artista.  Ele estava ali, com sua latinha para a doação de moedas em troca de mudanças de posições, esquecido como tantas outras estatuetas do centro de São Paulo.

Ignorado, parecia triste. De repente, vindo do final da Rua Direita, surge um ilusionista acompanhado de um ajudante cabeludo. Em poucos minutos os dois arrumaram os objetos utilizados em sua apresentação e começaram a gritar para chamar a atenção das pessoas que ali passavam.

Em poucos minutos uma multidão se reuniu. Todos  se esqueceram do homem estatua e foram dar atenção ao magico e seu amigo. Fiquei triste por ver a solidão do outro artista, que mal respirava para poder alegrar os pedestres. Coloquei a mão no bolso do casaco e encontrei apenas uma moeda de um real. Coloquei-a em sua latinha.

Retirando o chapéu de palha, o homem se curvou em forma de agradecimento e tomou novamente a postura endurecida.

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Sobre Thalita Monte Santo

Jornalista, fotógrafa e escritora.

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