Bilhete único, estresse e guichês

(Foto: Divulgação)

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Do lado de dentro da cabine tudo parecia tão normal, rotineiro. Do lado contrário do vidro, duas filas que giravam o quarteirão eram compostas por muitas, mas muitas mesmo, pessoas impacientes, nervosas por estarem a mais de uma hora em pé esperando atendimento.

Um rapaz de camisa vermelha comentava com duas moças loiras, que já era o segundo dia dele naquela fila, pois ele não teria conseguido pegar seu bilhete único de estudante na tarde anterior.

Na ponta da fila o vigilante tentava acalmar uma senhora que reclamava da falta de filas preferenciais. Mais a frente o garoto entretido com o celular não viu que a fila tinha andado um terço. Ao perceber, correu os três metros avançados.

No guichê de número 6 um homem de terno preto xingava os funcionários que não conseguiam resolver o seu problema. Foram tantos palavrões, não irei descrevê-los. Do meu lado esquerdo uma moça roía as unhas, acho que era por conta do nervosismo. “Três horas, três horas de fila”, gritava um senhor com a camisa do São Paulo futebol clube, que estava impaciente.

O terminal de senha apitou mais uma vez, direcionando o próximo da fila ao guichê cinco. Ao me aproximar mais da fila percebi que as pessoas que estavam sendo atendidas iam embora sem ter o problema resolvido.

Detalhe, dos 10 guichês de atendimento apenas quatro eram utilizados para o serviço. Mais a frente um moço de mochila nas costas tentava ser compreensivo com o atendente. “Já esperei duas horas em pé, tente ao menos resolver o meu problema. Veja o que você pode fazer por mim, eu aguardo”, disse ele.

Ouvi a moça do guichê quatro explicar a uma mulher que, no início do ano, muitas pessoas conseguiram retirar os bilhetes e carrega-los com a cota de estudante, sem ao menos terem pagado o boleto que é emitido ao solicitar o cartão no site. Por conta disto muitos bilhetes estão sendo bloqueados. Pra voltar a utiliza-los é necessário emitir outro boleto e pagar a taxa novamente. “Que absurdo”, exclamou a moça. “Mas esse é o procedimento”, argumentou a atendente.

A situação estava tão caótica que até um carro de link da TV Gazeta apareceu. O repórter fez a sua passagem, mas de onde eu estava não conseguia acompanha-lo muito bem.

O painel apitou, já era minha vez de ser atendida. Uma mulher folgada passou na minha frente. Fui atrás dela e disse que era a minha vez. “É a minha vez”, disse ela ao atendente do guichê quatro. Ele atendeu a ela.

A mulher da outra cabine me chamou e me atendeu. Explicou-me o que acontecia e disse que eu precisava utilizar o cartão antigo.

Na saída do local a mulher que passou na minha frente veio me pedir desculpas e foi embora reclamando que não conseguiu resolver o que queria.

Me desculpem o desabafo.

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Sobre Thalita Monte Santo

Jornalista, fotógrafa e escritora.

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