Sobre um livro que está sendo escrito com amor

Poucos sabem, mas estou escrevendo um romance desde fevereiro. Mesmo ainda não o tendo terminado (falta muito pra isso acontecer rsrsrs) resolvi compartilhar uma prévia do primeiro capítulo com os meus (futuros) leitores fieis ❤ 

Espero que gostem, beijos e boa leitura! 

Imagem

Manuela

(Primeiro capítulo)

Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que a vi.

Numa segunda feira monótona e quente, mais precisamente às 7h, seis de fevereiro de 2012, eu saía do plantão da madrugada que havia feito na da redação policial do jornal onde trabalho até hoje. Como de costume, para aliviar os nervos, entrei em uma livraria do centro da cidade, onde livros velhos e novos são vendidos com um precinho camarada. Costumo frequentá-la praticamente todos os dias desde a época da faculdade.

E, particularmente prefiro a sessão dos livros mais antigos, os esquecidos, de páginas amareladas. Estes, velhos e com cheiro de mofo conseguem, de forma harmoniosa, me acalmar. Tateando um livro de Gustave Flaubert, me distraí.

Como sempre, estava de mau humor. Ansiava por café amargo para acabar com o meu stress e cansaço. Já estava de partida, quando fui surpreendido, apesar dos barulhos do lado de fora da loja, por uma voz fina e suave que cumprimentava o dono da livraria na calçada:

– Bom dia Sr. Gabriel, como tem passado?

– Bom dia querida Manuela, muito bem, obrigada. E você?

– Bem, até logo.

– Até.

Curioso, como todo bom jornalista, me aproximei da porta para ver a quem era à moça. Preciso confessar que era a voz mais doce e serena que ouvi em toda a minha vida. Mas a dona voz de anjo já estava na beira da calçada, esperando o semáforo abrir para atravessar a rua. Só consegui ver seus longos cabelos negros e compridos que escorriam entre os ombros cobertos por um vestido florido e envelhecido.

Os carros pararam e o farol abriu para que os pedestres transitassem. Foi quando vi que a jovem cutucava o chão com uma bengala branca em sua frente para orientar-se. Ela não enxergava. Nenhum dos transeuntes apressados se dispôs a ajudar a moça. No início da rua, já virando a esquina, um motoqueiro em alta velocidade foi em direção a jovem. Atônito, corri como um desesperado e gritei:

– Moçaaaaaaaaaaaa, espere!- temendo o pior, pulei na frente dela arrastei-a para o outro lado da calçada.

– Você está bem? Machucou-se?- perguntei a ela.

– Estou bem, mas o que aconteceu? Não estou entendendo nada!

Nesse momento as pessoas aproximaram-se para saber do estado dela. Os seus óculos escuros haviam caído no chão e estavam despedaçados. Mais de perto pude ver sua pele branca e seus olhos pretos, feitos jabuticabas maduras colhidas do pé.

– Onde estão meus óculos? Pode me ajudar a encontrá-los moço?

– Bom, acho que seus óculos estão quebrados – coloquei-os em sua mão e abaixei a cabeça – Sinto muito.

– Antes os óculos do que eu não é? – ela sorriu.

– Sim.

Outras pessoas a pegaram pela mão e a levaram para a livraria, eu fiquei com cara de bobo ali, sozinho. Nem ao menos havia me apresentado.

(Continua)

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Sobre Thalita Monte Santo

Jornalista, fotógrafa e escritora.

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